Pesquisa não é excesso. É critério

Pesquisa de mercado não exige ver tudo, mas observar quem define o rumo. Tendências nascem nas marcas que criam, não nas que repetem

Compartilhar
Mulher observando diferentes acabamentos e eletrodomésticos embutidos em estande de evento
O Salone del Mobile é ruído e, ao mesmo tempo, direção para pesquisa de mercado em arquitetura e design de interiores (Foto: Diego Ravier)

Sempre ouvi que pesquisa de mercado exige ver tudo.

Visitar todas as lojas.
Percorrer todas as feiras.
Fotografar cada detalhe.

Nunca me convenceu.

Sempre tive aversão ao desnecessário.
O que chamam de preguiça, eu chamo de recusa ao ruído.

No mestrado, aprendi algo simples:
nenhum artigo é validado se ignora o clássico.
A origem do conceito.
Quem formulou a regra.

Fiz o paralelo com o mercado.

Se existem autores clássicos no pensamento,
existem marcas clássicas na construção do imaginário.

São poucas.

Muito poucas.

A maioria interpreta.
Algumas traduzem.
Raríssimas definem.

Pesquisa eficiente não é sobre ver tudo.
É sobre saber quem observar.

No design, isso fica explícito.
No Salone del Mobile, por exemplo, o ruído é enorme —
mas quem dita a direção está lá.

A pergunta nunca foi “o que está acontecendo?”
A pergunta é: “quem está criando o que vai acontecer?”

Tendência não nasce na repetição.
Nasce na origem.

Chris Ferreira observando amostras de revestimentos em evento de arquitetura e design de interiores
Chris Ferreira é consultora em branding e inovação, com especialização no mercado de architectural surfaces. Atualmente trabalha apoiando empresas na construção de valor por meio da integração entre branding, cultura do design e comportamento de mercado (Foto: Arquivo Chris Ferreira)