A Pele do Nosso Tempo

Tendências nascem no campo das ideias e chegam à pele das coisas. Entre cultura, tecnologia e natureza, materiais revelam as narrativas do nosso tempo

Compartilhar
Mão de mulher tocando superfície de mármore
Na contemporaneidade, materiais e superfícies são a materialização de narrativas (Foto: cottonbro studio)

Durante algum tempo, parecia impossível falar de marcas sem falar de propósito.

Missão, visão e valores desapareceram do vocabulário. A nova palavra era “propósito”.

A mudança ganhou força depois do famoso TED Talk de Simon Sinek, entre 2009 e 2010, quando apresentou o modelo do Golden Circle e colocou o “porquê” no centro das organizações.

Esse momento é um dos primeiros estágios na formação das tendências: quando nasce o discurso intelectual.

Mas aqui falamos de Skin — aquilo que veste e reveste a arquitetura e o design.

Hoje o propósito ainda importa. Mas não basta.

Para existir no mercado, uma ideia precisa de algo mais poderoso: uma narrativa cultural clara e convincente.

Moodboard em tons de verde com diversas amostras de pedras naturais
Os materiais naturais continuam relevantes na atualidade (Foto: Edward Jenner)

Materiais e superfícies são a tradução física dessas narrativas.

A pele dos objetos e dos espaços carrega a história do seu tempo.

E o nosso tempo fala de materialidade, sensorialidade e longevidade.

Nesse contexto, não surpreende a relevância dos materiais naturais no skin contemporâneo. Não se trata apenas de estética, mas de uma busca por conexão, permanência e verdade material.

Ambiente com parede e marcenaria brancas, piso de madeira e cadeira de madeira com assento e encosto em fibras naturais. Um par de chinelos aparece em primeiro plano
Hoje, a tecnologia permite recriar materiais naturais e promover experiências sensoriais (Foto: Yan Krukau)

E a tecnologia?

Ela também está presente. Mas não precisa aparecer.

No campo das superfícies, muitas vezes a melhor tecnologia é justamente aquela que desaparece. Ela amplia a experiência da matéria, reproduz texturas naturais, intensifica sensações.

Uma tendência pode nascer anos antes de se tornar evidente — e continua evoluindo ao longo do tempo.

Por isso, arquitetos e designers: observem a natureza.

Não de forma superficial.

Usem tecnologia, conceito e significado para explorar aquilo que ela oferece de mais poderoso: matéria, textura e sensação.

No fim, toda tendência começa na cultura, e termina na pele das coisas.


Chris Ferreira é consultora em branding e inovação, com especialização no mercado de architectural surfaces. Atualmente trabalha apoiando empresas na construção de valor por meio da integração entre branding, cultura do design e comportamento de mercado