Setai Oasis. Um edifício com pele verde.
O Setai Oasis mostra que a biofilia pode ser parte da arquitetura, e não apenas um complemento.
Biofilia. Um conceito que se popularizou nas redes sociais sem a profundidade que carrega, muitas vezes, apenas um jardim, mesmo que em vasos, faz o projeto receber o adjetivo de arquitetura biofílica.
O biólogo Edward O. Wilson organizou esse conceito no livro Biophilia de 1984 com a ideia central de que os seres humanos evoluíram em contato constante com ambientes naturais. Por isso, possuem uma tendência inata a buscar conexões com a natureza.
Esse livro influenciou muito a arquitetura e foi Stephen Kellert, pesquisador e professor de Yale que organizou pela primeira vez os princípios para um projeto biofílico.
Mas, o padrão atual mais adotado por arquitetos para projetos que adotam os princípios biofílicos é o 14 Patterns of Biophilic Design, que sintetizou décadas de pesquisa sobre o tema e foram desenvolvidos por pesquisadores da Terrapin Bright Green e publicados em 2014. A Terrapin é uma consultoria norte-americana de estratégia, sustentabilidade e inovação voltada ao ambiente construído. Foi fundada em 2006, em Nova York, e atua na interface entre arquitetura, ciência, saúde, desenvolvimento imobiliário e sustentabilidade.
A Biofilia na Arquitetura torna-se cada vez mais importante, seja pela consciência das pessoas, que buscam pelo bem-estar frente a todas as mudanças na natureza, seja pela necessidade funcional de trazer mais conforto térmico e sensação de aconchego aos ambientes.
E, de repente, me deparo com um projeto de João Pessoa na Paraíba, do Studio Léo Maia, que é um arquiteto curioso, inteligente e interessado verdadeiramente em arquitetura e, sendo dele o projeto, me interessei em aprofundar. É um edifício residencial chamado Setai Oasis e, na minha visão, é um produto do mercado imobiliário com um sem número de metas a cumprir e, mesmo com esses desafios, o arquiteto fez algo diferente, onde a pele do edifício é vegetação. Sem soluções impossíveis de replicar, simples e, até mesmo por isso, achei valiosíssimo.

As formas, levemente orgânicas, deixaram o volume mais leve e mais interessante.
Acho que as pessoas que vão morar ali terão uma boa experiência, melhor que a média do mercado imobiliário, e isso tem seu valor, acho interessante que a pele do edifício é feita de algo tão frágil como plantas, mas que deu uma força à linguagem do projeto, uma pele da arquitetura orgânica, viva e que traz bem-estar aos que ali vão habitar.
Perguntei ao próprio Léo Maia o que representa para ele uma fachada viva, e a resposta traduz bem a essência do projeto:
"Uma fachada viva é a expressão de uma arquitetura que entende que o ser humano floresce quando se reconecta à natureza. Ela não apenas compõe a paisagem, mas desperta sensações, melhora a qualidade do ambiente e resgata vínculos com o mundo natural." — Léo Maia
É exatamente essa fragilidade que se torna força — plantas como estrutura de linguagem, não como acessório.
