A pele que acolhe: quando a arquitetura deixa de ser cenário e passa a ser sentimento
CASACOR BC 2026 revela uma arquitetura mais humana, onde bem-estar, acolhimento e emoção redefinem o conceito de luxo
Em um mundo marcado pelo excesso de estímulos, pela hiperconectividade e pela velocidade constante, a arquitetura parece estar fazendo um movimento silencioso na direção oposta.
Foi exatamente essa sensação que permeou a visita à CASACOR SC | Balneário Camboriú 2026. Sob o tema "Mente e Coração", a mostra reuniu 30 ambientes que propõem uma reflexão sobre uma nova forma de habitar: menos baseada na aparência e mais conectada às experiências que os espaços são capazes de provocar.
Mais do que apresentar tendências, a edição deste ano revelou o início de uma mudança de comportamento. Em praticamente todos os projetos, o luxo deixou de estar associado ao excesso e passou a ser traduzido por conceitos como pausa, acolhimento, silêncio, permanência e bem-estar.
Ao caminhar pelos ambientes, torna-se evidente uma linguagem comum. Madeiras, pedras, tecidos orgânicos, iluminação indireta e formas curvas. Não por acaso. São materiais e soluções capazes de despertar memórias, estimular os sentidos e criar uma conexão emocional entre as pessoas e os espaços. Mensagens e frases de efeito estavam por todo canto, seja em quadrinhos ou objetos.






Madeiras, pedras, tecidos, iluminação, curvas, frases... Na CASACOR BC 2026, os projetos convidam a sentir os espaços (Fotos: Juliana Peixoto)
Antes de impressionar os olhos, a arquitetura contemporânea está se propondo a tocar em quem a vive. A preocupação em projetar espaços capazes de cuidar das pessoas ficou evidente para quem se conectou à mostra.
No universo do design, costumamos falar sobre a pele dos materiais. A textura da madeira, a profundidade da pedra, o toque dos tecidos, o brilho ou a opacidade das superfícies.
Mas a visita à CASACOR deste ano sugere uma reflexão ainda mais profunda. A verdadeira pele dos espaços talvez não esteja apenas naquilo que vemos ou tocamos. Ela está naquilo que sentimos.
E é justamente ali, no encontro entre mente e coração, que a arquitetura revela sua camada mais humana.
Juliana Peixoto é jornalista, com mais de 20 anos em comunicação corporativa, marketing e gestão de reputação. Foi a responsável pela comunicação corporativa do Portobello Grupo e editora do site Archtrends, atuando na construção de narrativas e posicionamento de marca